Clickbait - Case de como não agir nas redes sociais .

| 29/11/2016 - 17:56:24 | 1516


Clickbait - Case de como não agir nas redes sociais .

Nem todos os assuntos são apropriados para redes sociais. Após um triste acidente de avião que matou mais de 70 pessoas, o site Catraca Livre escreve uma série de matérias sobre medo de queda de avião, selfie das vítimas e vídeos de turbulências...

Clickbait ou "isca de cliques" é um termo pejorativo que se refere a conteúdo da internet que é destinado à geração de receita de publicidade on-line, normalmente às custas da qualidade e da precisão da informação, por meio de manchetes sensacionalistas e/ou imagens em miniatura chamativas para atrair cliques e incentivar o compartilhamento do material pelas redes sociais.

Manchetes clickbait costumam prover somente o mínimo necessário para deixar o leitor curioso, mas não o suficiente para satisfazer essa curiosidade sem clicar no conteúdo vinculado.

O objetivo é simples, atrair cliques e visitas para o conteúdo e encorajar o compartilhamento em redes sociais. Geralmente são manchetes como "10 coisas que você precisa saber", "Veja fotos de algum escândalo", "Aprenda como fazer algo", "Você precisa ver o que esta mulher fez", etc... Estes clickbaits são curtos e deixam, com frequência, o leitor curioso para clicar no link especificado e "descobrir" o conteúdo. É uma técnica de marketing.

Mas nem todo assunto é apropriado para este tipo de técnica, isso o site Catraca Livre aprendeu da pior maneira. Após um triste acidente de avião que matou mais de 70 pessoas, o site Catraca Livre escreveu uma série de matérias sobre medo de queda de avião, selfie das vítimas e vídeos de turbulências em aviões.  Não demorou muito para os internautas perceberem a falta de sensibilidade das matérias durante um momento de luto nacional e se revoltarem com a página. Em poucas horas a página recebeu milhares de comentários com criticas ponderadas e raivosas:

 

 

No meio da confusão tentaram mostrar luto, mas talvez atordoados pela confusão, não perceberam que haviam pego imagem alheia. O Estadão lembrou que a imagem era deles. 

 

Reclamações se espalharam pelo twitter:

Também houve uma queda vertiginosa dos likes da página:

 

Após várias tentativas falhas de desculpas institucionais, para tentar conter a onda de descontentamento, o criador do site teve que assumir toda a responsabilidade se desculpando pessoalmente com o seguinte texto; "A responsabilidade pelo erro em relação às reportagens sobre o Chapecoense tem um nome e sobrenome: Gilberto Dimenstein, criador do Catraca Livre. Ninguém participou da decisão, exceto eu. Ganhei todos os prêmios possíveis como escritor e jornalista - e aprendi que pior do que errar é não reconhecer o erro. Aliás, toda a redação foi contra e, numa conversa franca, expuseram suas discordâncias. Aprendi que errar é uma fonte de aprendizado enorme.Portanto, peço desculpas se as reportagens feriram as pessoas. E se tiverem que culpar alguém, apontem apenas para mim. Espero, assim, ser melhor do que fui." 

Qual a lição aprendemos com isso? Sim, ter acessos é importante, mas muitas vezes é preciso ter cuidado e não deixar que o clickbait seja prejudicial a marca. É preciso respeitar certas situações e assuntos. Não compensa utilizar assuntos polêmicos ou delicados de forma desrespeitosa, chegando a chocar ou gerar repúdio em seu público alvo. 

As crises nas redes sociais são inevitáveis. Toda marca que deseja criar uma presença em redes sociais vai se deparar com uma crise cedo ou tarde, é importante ter um protocolo de procedimentos para orientar as ações no olho do furacão.
A ação de contenção precisa ser rápida, se for o caso peça desculpa de forma clara e direta. Esclareça que o erro será corrigido e os responsáveis advertidos, não deixe que tome proporções maiores do que o ato em si.

Marcas e profissionais nunca podem esquecer que eles estão lidando com pessoas. Quando alguém reclama pedindo uma explicação e um posicionamento diante de um erro, não se pode limitar a ser burocrático e frio.

Seu potencial cliente tem pouco tempo e milhares de conteúdos a sua disposição. Por isso, invista em produzir conteúdos que realmente sejam relevantes para ele, que o ajude a se informar. Escolha com cuidado o material e a abordagem aplicada.

Por conta do incômodo que os clickbaits podem gerar aos usuários, principalmente àqueles que navegam na internet com maior frequência, sites e redes sociais como o Facebook têm tomado uma série de medidas específicas com o intuito de reduzir a presença de clickbaits entre os conteúdos veiculados em suas páginas. A mudança será uma vitória para o jornalismo que, antes de tudo, serve para informar o leitor.

E a página Catraca livre? Até o momento continua perdendo likes. Boa sorte para arrumarem isso.